Mais de 100 mil pessoas nas festas de Samora Correia

Publicado em 24-08-2011

As tradicionais Festas em Honra de Nossa Senhora de Oliveira e Nossa Senhora de Guadalupe receberam mais de 100 mil visitantes entre 18 e 23 de Agosto.

A redução do orçamento, consequência da quebra das receitas, não interferiu na qualidade dos eventos que registaram uma presença de púbico dentro das expectativas da organização e até superada em alguns momentos.

O toiro, o campino e o forcado foram figuras de destaque numa festa onde a bravura dos toiros deixou algunas marcas com 11 feridos, quatro deles em estado grave.

A corrida de toiros de segunda-feira com um curro da Ganadaria espanhola Dolores Aguirre, que se apresentou pela primeira vez em Portugal, foi uma corrida dura com os forcados de Salvaterra, Moita do Ribatejo e Ramo Verde (Açores) a mostrarem a sua valentia pegando cinco dos seis toiros à primeira tentativa, ainda assim resultaram seis feridos da corrida, dois deles em estado grave.

Na largada de toiros da madrugada de domingo registaram-se quatro feridos, dois deles em estado grave com perfurações em várias partes do corpo.

A passagem de toiros na EN 118 decorreu sem nenhum incidente mercê "do reforço das condições de segurança e do excelente comportamento" dos milhares de aficionados que estavam colocados na estrada que atravessa a cidade.

A organização montou um Posto Médico Avançado com médicos e emfermeiros do INEM e 50 socorristas dos bombeiros de Samora, Benavente, Vila Franca de Xira, Alcochete, Salvaterra de Magos, Santarém e Beato ( Lisboa).

Na área da segurança a GNR montou um dispositivo com 20 elementos do Pelotão de Intervenção Rápida e do Posto Territorial de Samora Correia e com vários agentes à civil colocados em locais estratégicos. Segundo o comandante, Sargento Ramos Pereira, não se registou nenhuma detenção nem os habituais conflitos provocados pelo excesso de consumo de álcool, nomeadamente na noite da sardinha assada em que foram oferecidas 25 mil sardinhas, 3 mil quilos de pão e 3 mil litros de vinho. "Foi um ano excepcional, em que tudo correu dentro da normalidade", reconhece a organização.

Os maiores destaques da festa, para além das entradas de toiros, foram as provas de picaria à vara larga e condução de cabrestos, realizadas pelos campinos e cavaleiros, o cortejo etnográfico, o cortejo da Nossa Semhora de Alcamé e a procissão com todas as imagens que juntou mais de 3 mil devotos numa procissão com 18 imagens na tarde de domingo.

A organização tem a particularidade de juntar mais de uma centena de colaboradores que realizam um conjunto de tarefas gratuitamente permitindo que a festa tenha um custo reduzido e que se mantenha a tradição mesmo quando as receitas desceram de forma significativa.

A Festa regressa em Agosto de 2012, mas ainda pode ver uma exposição que homenageia o campino entre a Lezíria e a Charneca no Palácio do Infantado, junto à Igreja da Cidade. É uma homenagem ao homem do colete encarnado em que o ambiente da Lezíria e da Charneca é transportado para um espaço cultural onde viveu D. Miguel e onde foi acolhida a sede da Companhia das Lezírias há 175 anos.


Nelson Silva Lopes